Um local para doentes com demência

Perante a necessidade de internar um doente com problemas cognitivos, de memória, com demência de Alzheimer ou outra, procure conhecer diversas particularidades dos locais possíveis e do serviço que oferecem. Assim, informe-se se a unidade de saúde dispõe dos recursos necessários para assegurar as seguintes competências:

  • Diagnosticar e estadiar a doença e a sua evolução, 
  • Adaptar o plano de cuidados à evolução das necessidades do doente, nomeadamente no controlo de sintomas e na manutenção do conforto, 
  • Realizar reabilitação funcional e neuroreabilitação, otimizando as capacidades do doente,
  • Garantir acompanhamento médico, com supervisão permanente da situação e controlo de agudizações médicas e psíquicas,
  • Garantir uma dieta equilibrada e resolver os difíceis problemas alimentares nas várias fases da demência,
  • Lidar com os valores do doente, promovendo a sua autoestima e autonomia,
  • Apoiar o doente com demência e a sua família na manutenção dos seus afetos e do equilíbrio das suas relações,
  • Apoiar a família na tomada de decisões nas fases avançadas e paliativas da demência,
  • Apoiar a família na escolha das melhores soluções de acompanhamento social, funcional e clínico, garantindo a qualidade do serviço tendo em consideração as disponibilidades financeiras. 

Para assegurar as competências indicadas, uma unidade de demências tem de incluir:

Na área de recursos humanos

  • Uma equipa residente de profissionais médicos, de enfermagem e outros profissionais de saúde habilitados para cuidar destes doentes,
  • O acompanhamento por esses profissionais 24 horas por dia,
  • Uma equipa médica que inclua neurologistas, psiquiatras, médicos com diferenciação em geriatria e médicos com formação específica em demências, 
  • Uma equipa de enfermagem com formação específica em saúde mental e com competência relacional certificada,
  • Uma equipa de auxiliares de ação médica com formação específica e competência relacional certificada, 
  • Uma equipa de técnicos de saúde com fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais e terapeutas da fala,
  • Uma equipa de psicólogos e neuropsicólogos.

Arquitetura e ambiente

Nos doentes com demência, a alteração da perceção da realidade e a dificuldade em interpretar a informação sensorial, nomeadamente o que observam ou ouvem, pode traduzir-se em desconforto ou até em agitação, especialmente quando estão num ambiente não adaptado e por isso agressivo. Com efeito, para estes doentes, os ambientes não adaptados podem ser assustadores, pelo que devem ser preparados cuidadosamente.

Assim, a arquitetura e o ambiente de uma unidade de demências devem:

  • Favorecer o bem-estar individual, assegurando a tranquilidade e a segurança e respeitando a identidade e a cultura dos doentes,
  • Constituir um meio favorável para o desenvolvimento de relações,
  • Responder às limitações dos doentes (motoras, cognitivas, sensoriais), tentando amenizá-las e promovendo a autonomia,
  • Promover a mobilidade, garantindo simultaneamente a segurança, nomeadamente com medidas de controlo espacial e de prevenção de acidentes,
  • Proporcionar um ambiente residencial, nomeadamente com a toma de refeições em local próprio e confortável, como se se tratasse de uma sala de jantar tradicional.

Competências relacionais

Sabendo-se hoje que, nestes doentes, os sintomas secundários e as crises de agitação, agressividade e delírio podem, em parte, ser evitadas se os cuidadores e pessoas próximas possuírem competências relacionais, as unidades de demência devem assegurar e certificar documentalmente a competência relacional dos seus profissionais, principalmente os cuidadores mais próximos, normalmente os enfermeiros e auxiliares de ação médica.


Para saber mais:

Unidade de Demências e Alzheimer do Hospital do Mar Cuidados Especializados Lisboa

Neuroestimulação no Hospital do Mar Cuidados Especializados Lisboa